Nessa vida de fotógrafo comercial (seja qual ramo for…) nem sempre sobra tempo pra curtir mais a fotografia…isso de transformar o que se gosta numa atividade profissional é, ao mesmo tempo, reconfortante e angustiante. Reconfortante porque estou conectado comigo mesmo fazendo o que escolhi há quase 15 anos e gosto da atividade, a visão de mundo que proporciona e de tudo que a envolve. Angustiante por que viver estritamente da fotografia acaba levando você a aceitar algumas demandas, incorporar determinados signos e as vezes até vender a alma ao fazer o que se espera e não o que se quer ( lembrando que o layout publicitário hoje é cada vez mais quase uma arte final…antigamente era um desenho e os ilustradores tinham mais trabalho) é aí que você pensa…estou fazendo o que eu gosto ? Viva a fotografia sem layout !!! …por isso a fotografia de casamento tem atraído tantos fotógrafos criativos…tem mais margem pra criação, aliás a reunião de criação não acontece sem o fotógrafo neste tipo de foto.
Mas voltando à inspiração… Esse é o ponto onde você descobre uma crise: de repente estou ali fotografando no fim de semana despretenciosamente e olho aquela imagem e penso : “humm, essa foto no banco de imagem vai vender…”, sinto que não foi pra isso que decidi ser fotógrafo, com certeza minhas motivações eram mais românticas em todos os seu sentidos, mais artisticas, mais idealistas, mais viscerais, mais instigadas, mais… mais !! Lembro bem quando decidi por esta vida (esquina da 7 de setembro com a rua da quitanda, no RJ. outono,1997.) e com certeza não pensei na grana, pensei sim que ia precisar de grana pra sustentar a paixão, leia-se fotografia, mas se ia me sustentar de verdade, não pensei nisso. Arrisquei, mas sustentou e sustenta até hoje, e com sobras, e por isso sou grato a ela.
Então saí pra fotografar sem pensar em banco de imagem, em contas, em vaidades…só pra me conectar de novo com as minhas referências. Eis o que produzi: Parafrases de outros fotografos. Ansel Adams, Thomas Farkas, e Mappelthorpe.
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